sábado, 6 de setembro de 2008

HANCOCK

Em um verão americano dominado por estréias de filmes de super-heróis de quadrinhos, é justamente a encarnação de um anti-herói que está lotando os cinemas americanos. A comédia Hancock, sobre um incompreendido herói bêbado e decadente, arrecadou mais de US$ 66 milhões nos Estados Unidos logo na estréia. Também se firmou como primeiro lugar em 47 dos 50 países onde estreou, incluindo Brasil, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Austrália e Coréia do Sul. No total, desde suas primeiras exibições, na terça passada (1º de julho), o filme arrecadou US$ 107,3 milhões no mundo.
Atingir o topo das bilheterias mundiais logo no lançamento parece ter sido uma vitória pessoal para o ator americano Will Smith, protagonista de Hancock. Sua atuação no papel do protagonista sofreu duras críticas, provavelmente as piores de sua carreira. “A audiência ama Will e seus personagens”, disse Rory Bruer, presidente de distribuição da Columbia Pictures nos Estados Unidos. “As pessoas querem participar das coisas que ele faz.”
Essa talvez seja a melhor explicação para o estrondoso sucesso de bilheteri de Hancock. O filme conta a história de John Hancock, um super-herói com força colossal, velocidade supersônica e nenhuma paciência para procedimentos heróicos de praxe como ser politicamente correto, dócil com crianças ou mesmo decolar e aterrissar sem destruir ruas e prédios de Los Angeles. Em suma: um super-herói sem consciência da própria força, que provoca mais desastres do que finais felizes na tentativa de combater malfeitores.
Para piorar, ao contrário de outros heróis clássicos, Hancock não é lá um símbolo de superação. Não consegue vencer sua depressão e seu isolamento para fazer o bem. Só consegue se livrar do perturbador fato de ser odiado pelos cidadãos ao beber até cair e ser o mais anti-social possível - o que, óbvio, só contribui para acentuar sua impopularidade entre os habitantes da cidade.
A guinada em sua história ocorre quando o relações públicas Ray Embrey (o comediante Jason Bateman) deixa de lado o sonho de mudar o mundo convencendo companhias gigantescas a fornecer produtos de graça aos necessitados para tentar melhorar o ibope de Hancock. Ray faz o herói às avessas se entregar às autoridades para demonstrar arrependimento pelas suas ações desastradas e desastrosas do passado. Enquanto cumpre sua pena por danos incontáveis ao erário público numa penitenciária, Ray tenta convencê-lo a agir de maneira coerente com um super-herói - como aprender a aterrissar sem destruir a calçada, não andar maltrapilho com uma garrafa de uísque na mão e usar um uniforme de nylon cinza de gosto duvidoso.
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