sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Elzéard Bouffier, “O Homem que plantava árvores

Algum tempo atrás postei algo a respeito, mas me sinto inspirado sempre que me deparo com essa história real de um homem simples, que alheio a guerras, problemas, espaço geográfico, propriedade, plantou milhares de árvores e com essa atitude mudou para sempre a sua história, da região e de centenas de pessoas a sua volta. Quem sabe , possamos nos sentir motivados a fazer dentro do nosso âmbito de atuação, o mesmo?
"Há três anos que plantava árvores nessa solidão. Já tinha plantado cem mil. Dessas cem mil, vinte mil tinham vingado. Dessas vinte mil contava ainda perder metade devido às tempestades e a tudo o que é impossível prever nos desígnios da Providência. Sobravam dez mil carvalhos que iriam crescer nesse lugar onde antes não havia nada. (...) Fiz-lhe notar que daí a trinta anos esses dez mil carvalhos seriam magníficos. Respondeu-me que, se Deus lhe desse vida, daí a trinta anos teria plantado tantas outras que essas dez mil seriam como uma gota de água no oceano. (...) Separámo-nos no dia seguinte. No ano a seguir houve a guerra de 14 na qual passei cinco anos. Um soldado de infantaria não pode pensar em árvores e para dizer a verdade a história não me tinha impressionado muito. Considerava aquilo uma patetice, ao mesmo nível de coleccionar selos, por exemplo, e não pensei mais nisso. (...) Eu tinha visto morrer demasiadas pessoas durante cinco anos para poder facilmente imaginar a morte de Elzéard Bouffier. Além disso, aos vinte anos pensamos em homens de cinquenta como velhos a quem só resta morrer. Este não tinha morrido, estava até bastante rijo. Tinha mudado de trabalho. Tinha agora só quatro carneiros e, em vez dos outros, arranjara uma centena de colmeias. Livrara-se dos carneiros que punham em perigo as plantações de árvores. Pois que a guerra, disse-me ele (e eu podia constatá-lo) não o havia incomodado; continuara imperturbavelmente a plantar. (...) Os caçadores que subiam aos ermos, à caça de lebres ou javalis tinham reparado na abundância de pequenas árvores mas julgavam tratar-se de um capricho da natureza e foi por essa razão que ninguém tocou na obra do homem. (...) A partir de 1920 nunca mais passei um ano sem ver Elzéard Bouffier. Jamais o vi fraquejar ou duvidar. E só Deus sabe, como até Ele próprio, por vezes não ajuda. (...) Em 1933 recebeu a visita de um guarda-florestal atarantado, que lhe disse que tivesse cuidado com o fogo, não fosse pôr em perigo o crescimento dessa floresta natural. Era a primeira vez que se via uma floresta a crescer sozinha, acrescentou este homem ingénuo. Por essa altura já o pastor ia plantar bétulas a doze quilómetros de casa. (...) Em 1935 uma verdadeira delegação administrativa veio admirar a “floresta natural”. Entre eles estava um alto funcionário responsável pelas Águas e Florestas, um deputado e vários técnicos. Fizeram-se discursos inúteis. Ficou decidido fazer-se qualquer coisa mas, felizmente para todos, ninguém fez nada a não ser a única coisa útil: pôr a floresta sob alçada do Estado e proibir que alguém viesse fazer carvão. (...) A obra só correu um risco sério durante a guerra de 1939. Como os automóveis na época andavam a gasogénio toda a madeira era pouca. Começou-se a cortar carvalhos plantados em 1910, mas essas paragens ficavam tão longe de todas as estradas que a empresa não revelou qualquer viabilidade financeira. O projecto foi abandonado. O pastor não tinha dado por nada. Encontrava-se a trinta quilómetros dali, e continuava tranquilamente com a sua tarefa tão ignorante da guerra de 39 como antes estivera da guerra de 14.(...)»
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