sábado, 8 de maio de 2010

BRINCADEIRA DO DESMAIO.

Adolescentes se reúnem para assistir a um filme em casa. Até aí, o programa parece excelente. Mas assim que os pais vão dormir, o que eles chamam de festa começa. Um deles acelera a respiração, que em seguida é bloqueada até a pessoa desmaiar. A cena é chocante e o pior: pode estar acontecendo na sua casa.A chamada "brincadeira do desmaio" não é nova, mas nos últimos anos virou mania entre os adolescentes de todo o mundo. É que eles acreditam que assim podem "sentir um barato" sem usar drogas químicas e por isso não enxergam os riscos. O problema é tão sério que levou o governo francês a lançar este ano uma grande campanha alertando o perigo desse hábito. Na França foram registradas centenas de mortes provocadas pela mesma "brincadeira", com a média impressionante de dez mortes por ano, de acordo com dados da Associação de Pais de Crianças Acidentadas por Estrangulamento (Apes).
Como é a brincadeira
Na 'brincadeira' a pessoa provoca uma hiperventilação, que elimina uma grande quantidade de gás carbônico e aumenta o nível de oxigênio, e por isso ela consegue prender a respiração por mais tempo. "Há um acúmulo de CO2, que provoca tontura e alucinação. É este o 'barato' que os adolescentes se referem. Só que sem respirar falta oxigênio no sangue para irrigar o cérebro e a pessoa desmaia", explica a neurologista Cristiana Borges Pereira, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Além da possibilidade de se machucar com a queda, quem fica muito tempo sem respirar pode sofrer parada respiratória seguida de parada cardíaca.
O que os pais podem fazer
Cada vez mais adolescentes estão fazendo a brincadeira, amplamente divulgada em vídeos no YouTube e em comunidades no Orkut. A saída dos pais é conversar com os filhos e explicar todos os riscos de se provocar a perda de consciência. "É natural o adolescente querer experimentar novas sensações com o próprio corpo. Converse dando espaço a ele. Se a conversa começar com uma crítica, as portas se fecham. Fale que você sabe que ele gosta de se divertir mas que se informou e descobriu que a brincadeira é perigosa. Dê os argumentos e peça para ele informar os amigos e jamais diga para ele abandonar os amigos que costumam brincar desse jeito", orienta a psicóloga Jonia Lacerda, coordenadora do Serviço de Psicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
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