quinta-feira, 6 de maio de 2010

"SOBREVIVI"



"Eu pensava que aquilo não estava acontecendo. Não tinha caído a ficha"
Paulo Roberto Zani, que sobreviveu ao acidente da TAM em julho de 2007
Choque e reação

Nos EUA, as comissárias de bordo são treinadas a berrar com os passageiros nos casos de emergência. Estudos mostram que um ruído alto tem o poder de tirar as pessoas do estupor. Talvez por ter começado com um barulho ensurdecedor, a experiência de Paulo Roberto Zani no prédio da TAM Express, em frente ao aeroporto de Congonhas, não permitiu que ele ficasse paralisado.
Além disso, Zani teve outra reação típica em uma tragédia, também elencada por Ripley em "Impensável": a negação de tudo que estava acontecendo à sua volta. "Eu pensava que aquilo não estava acontecendo. Não tinha caído a ficha. Achava que era algo sem importância e que ia sair dali rapidamente." Zani diz que pensou na mulher, nas filhas, no pai. "Senti a gravidade do acidente e decidi que não ia ficar ali, que não iria morrer." Seu comportamento é comum entre sobreviventes. Pesquisas mostram que muitos deles só driblam o impensável ao lembrar de seus familiares.
Depois disso, bolou a sua rota de fuga. As pessoas presas no prédio passaram a correr, tentando se afastar de onde vinha o som. No fundo do escritório, as paredes começaram a cair, enquanto uma fumaça negra invadia o local, e a temperatura aumentava. A essa altura, Zani já não conseguia respirar. Neste momento, conseguiu encontrar o amigo Wanderlei Ferreira da Silva. Ambos jogaram-se ao chão imediatamente, onde ainda existia uma coluna de ar sem fumaça, medindo aproximadamente um metro.
No final do corredor, encontraram uma sala que não tinha sido danificada pelo impacto. Nesse ponto do prédio, já dava para respirar de pé e havia janelas, logo quebradas por eles. A agonia aumentava com a temperatura e a fumaça. Depois de 20 minutos, um caminhão dos bombeiros chegou para resgatá-los. Mas a escada do veículo estava quebrada e não conseguia chegar até as vítimas. Já era possível ouvir as janelas dos andares inferiores explodindo com o calor.
Sem saber como progredia o incêndio, a idéia de pular começou a tomar conta de Wanderlei. "Rezamos, mas ele foi se debilitando. Eu tinha certeza de que tudo iria dar certo e de que faltava pouco." O pouco oxigênio ia consumindo as energias dos dois. Mas Zani acreditou durante todo o tempo que ia sair dali. Pesquisas recentes mostram que pessoas confiantes tendem a se dar muitíssimo bem em catástrofes. Sua forma de pensar atenua os efeitos devastadores do medo extremo.
Demorou mais dez minutos até que o caminhão dos bombeiros resgatasse os dois amigos. Quando estava no cesto do veículo, o gerente, que havia se mantido sob controle desde o momento do impacto, desabou emocionalmente. "Estava segurando uma tensão e, quando senti que estava seguro, desmontei." Todos os 187 ocupantes do avião morreram. Em terra, mais 12 pessoas que estavam no edifício perderam a vida. Zani continua morando em São Paulo e trabalhando com tecnologia da informação, mas agora para outra empresa.
Fonte - Galileu.
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