domingo, 1 de junho de 2014

O FRIO QUE VEM DE DENTRO


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Nesses tempos de inverno, os noticiários nos mostram pessoas que vivem nas ruas e são castigadas pelo frio intenso das madrugadas. Apesar de a Prefeitura fazer a sua parte, alguns preferem ficar nas ruas ao invés de ir aos abrigos.
Mas  há um outro tipo de frio que mata mais que a estação do inverno.
Há uma história que narra o encontro de 4 homens em uma caverna gelada. Perdidos, encontraram abrigo naquele lugar. No centro da caverna , uma pequena fogueira já prestes a se apagar. Aquelas pessoas se ajuntaram ao redor da fogueira , cada um tendo nas mãos um pouco de lenha. O primeiro deles era um homem preconceituoso e racista. Pensou consigo " Tenho aqui comigo um pouco de lenha para impedir que essa fogueira se apague , mas não vou compartilha-la com esse homem negro ao meu lado. O segundo homem era o negro que pensava assim " Não irei compartilhar essa lenha com meus opressores" O terceiro homem era muito rico " Imagine eu ajudar com minha lenha esse homem pobre e preguiçoso que está ao meu lado. É tempo perdido. O quarto homem era um homem muito pobre. " Não vou compartilhar minha lenha com esse homem rico, que me explora ". E assim ficaram ali, observando aquela pequena fogueira.
No dia seguinte, o resgate chegou. Quando os bombeiros entraram encontraram quatro homens mortos com um feixe de lenha a seu lado. Um dos bombeiros comentou " O que matou esses homens não foi o frio da caverna" Foi a frieza que estava dentro de seus corações"


Gosto muito dessa história. Ela reflete um espírito muito comum dos nossos tempos. O extremo egoísmo, a luta por interesses particulares, que não abrem mão de nada em busca do que se quer. Quantas pessoas no trabalho, na equipe, tem talentos mas deixam de os compartilhar com outros, por não se simpatizarem , não terem a mesma visão e os mesmos interesses. Preferem guardar para si seu conhecimento, pensando que conseguium aquilo com suor de seu rosto , por que iria compartilhar com outros tão sem boa vontade?
Nos lares, nas igrejas, quantas pessoas preferem se manter isoladas por diferenças pessoais, e muitas vezes não estemdem a mão, não dão um sorriso sincero, não oferecem sua amizade.
E assim , vamos pouco a pouco deteriorando a qualidade da vida humana no Planeta. Sabemos que há milhões de pessoas vivendo no limite da pobreza. E quando os governos tentam inserir esses individuos na sociedade, há críticas severas, daqueles que se acham pagadores de impostos e que estão trabalhando pra que outros ganhem dinheiro sem esforço. Entendo os argumentos clássicos como " Antes de dar o peixe é preciso ensinar a pescar", ou mesmo de que estariamos formando " vagabundos". Concordo que há erros nos programas sociais e que precisam ser ajustados, mas também entendo que devemos ter sim programas sociais para inserir essas pessoas na sociedade. Uma das saídas possíveis para a crise existencial do Planeta é a colaboração. Se aqueles homens presos na caverna tivessem deixado suas diferenças de lado por um momento e elegessem como prioridade a sobrevivência de cada um deles, eles colaborariam e estariam todos vivos. Mas pensaram de forma individual e morreram todos, mas os recursos ficaram ali, ao seu lado, sem uso algum. De que adianta tanto dinheiro, tanta tecnologia, se pouco a pouco a situação está se tornando insustentável. Viver como reféns, dentro das casas, cerados por grades e seguranças? Viver sempre com medo de sair as ruas, de passear, de ir a um restaurante?
Há um conceito muito interessante criado pelo matemático Nash chamada teoria dos jogos. Nessa teoria, ele analisa de maneira matemática , os processos que levam as pessoas a terem determinado comportamento. Muitas vezes a sociedade se organiza no chamado jogo de soma zero, onde é preciso que haja um ganhador e um perdedor. Não é assim na maioria dos jogos que temos na vida.? Mas segundo a teoria é possível outros resultados. Existe o jogo do ganha ganha. Como funciona?. Para eu ganhar não é preciso que você perca. Podemos ganhar juntos!!!! Essa é a essência da colaboração!
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