quinta-feira, 21 de agosto de 2008

SEU FILHO ESTÁ BEM?

Brigas constantes na escola, muita dificuldade para se relacionar com os outros e mudança brusca de comportamento podem ser sinais de que seu filho não está legal. Por isso, fique atenta!
Camila Stahelin

A psicóloga Maria Flávia Ferreira explica que o grande cuidado é com os excessos. O grau de intensidade na alteração do comportamento da criança e do adolescente é o que diferencia uma fase de um sintoma. “Brigar assim que entra na escola é comum; o pequeno está testando como se relacionar, assim como na adolescência, em que o jovem também testa os relacionamentos. Isso pode ser considerado como uma fase. Mas se situações como estas se repetem demasiadamente, podemos dizer que são sintomas. Provavelmente algo aconteceu e, nesse caso, é preciso investigar a causa”, explica a especialista.
De acordo com Roberta Oliveira, psicóloga do site
www.psicologiaaplicada.com.br, existem sintomas mais comuns em algumas faixas etárias que consistem em um “sinal amarelo”. Crianças entre dois e cinco anos, podem apresentar constipação, ecoprese e enurese, por exemplo.
Ecoprese e constipação são quando a criança tem dificuldade em defecar, podendo sentir dor, cólica ou até mesmo medo de ir ao banheiro. Enurese é quando não consegue segurar o xixi, fazendo nas calças ou enquanto dorme. “Esses são indícios de que há algo errado, por alguma coisa que tenha ocorrido que pode ter causado um trauma. Dependendo da idade e do stress que a criança está sofrendo com a situação, atinge mais gente na casa, porque geralmente as mães também acabam ficando muito angustiadas em não poder ou não saber o que fazer para ajudá-la”, diz a psicóloga.
Dos cinco anos em diante, a partir do momento em que começa a freqüentar a escola, os professores, principalmente, começam a identificar vários sintomas que antes não eram tão perceptíveis. A criança passa boa parte do dia ali, fica em grupo com outras crianças, o que faz com que seu comportamento fique mais evidente.
O maior índice de queixas é a dificuldade escolar, determinada por impulsividade, hiperatividade e timidez. Maria Flávia destaca que a criança que está entrando na escola passa por um grande momento de mudança na sua vida. “É uma fase nova, em que fica sensível, birrenta, chora mais. Aí se adapta e isso tudo passa. Mas se isso é agravado por alguma coisa que já vem anteriormente, permanece. E o comportamento de birra é sintoma de que as coisas não estão bem”.
Lá pelos 11 anos, quando se atravessa a pré-adolescência, a grande queixa é a timidez. A criança pode ter dificuldades em se relacionar com amigos da mesma idade e acaba se isolando do seu grupo. Isso gera outras questões conflituosas, como dificuldade escolar e uma possível depressão, não querendo mais freqüentar a escola, por exemplo. O pré-adolescente fica confuso diante das situações que tem que enfrentar e acaba evitando-as, gerando mais isolamento e não conseguindo lidar com as suas emoções. “A timidez é um grande problema; às vezes, não damos conta da gravidade dela”, afirma Roberta.
Na adolescência, ocorre a fase da "rebeldia", como se costuma chamar. Algumas características já vindas da pré-adolescência podem se aguçar, como agressividade, impulsividade, hiperatividade, irritabilidade e choro com facilidade. O mais importante é não negar o problema.
E aí a psicóloga Maria Flávia chama a atenção dos pais. “Às vezes, eles têm dificuldade de admitir que algo não vai bem com seu filho, porque pode encarar isso como um erro seu, da educação que deram. Então é melhor achar que é uma fase e que vai passar”, explica. “Em alguns casos é realmente uma fase, mas em outros é preciso encarar o que está acontecendo, para poder ajudar a solucionar o problema”,
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