“ A pobreza não é a diminuição da riqueza, mas a multiplicação dos desejos.” — Platão
Há mais de dois mil anos, essa reflexão já apontava para algo que hoje se conecta diretamente com a educação financeira: não se trata apenas de quanto temos, mas de quanto desejamos.
Vivemos em um tempo em que necessidades legítimas — como alimentação, segurança, reconhecimento e crescimento pessoal — se misturam com desejos fabricados. A lógica da pós-modernidade não apenas atende demandas, ela cria novas: a necessidade de ser visto, de ser relevante, de ter prestígio, fama, validação constante.
E então surge o ciclo: mais desejos → mais consumo → mais frustração.
Nem todos conseguem — e nem deveriam — sustentar esse volume de expectativas. O resultado não é apenas um empobrecimento financeiro, mas também um esvaziamento interior.
Talvez a verdadeira educação financeira comece antes dos números.
Comece com perguntas:
O que eu realmente preciso?
O que, em mim, está desejando isso?
Esse desejo é meu… ou foi construído?
Escrevi um livro na Amazon justamente para ir além das fórmulas prontas de enriquecimento. Não se trata de “como ficar rico”, mas de compreender o que está por trás das nossas escolhas financeiras.
A partir da psicanálise e do pensamento da complexidade, proponho uma reflexão mais profunda: como nossos desejos são moldados, sequestrados e, principalmente, como podemos retomá-los de forma consciente e inteligente.
Educação financeira não é só sobre dinheiro.
É sobre liberdade.



